Bolsonaro: “Acontece até de o índio trocar uma tora por cerveja”

Durante a live desta quinta-feira (19), o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar sobre o desmatamento da Amazônia. Acompanhado do superintendente regional da Polícia Federal no Amazonas, o delegado Alexandre Silva Saraiva, o presidente fez críticas a outros países que acusam o Brasil de não cuidar do meio ambiente. “Países hoje nos criticam, em algumas oportunidades até com razão, em outras não”, declarou.

O chefe do Executivo voltou a atribuir a culpa pelo desmatamento na Amazônia aos índios. De acordo com Bolsonaro, em alguns locais da Amazônia, os indígenas trocam “tora” de madeira por coca-cola e cerveja. “Existe o desmatamento ilegal? Existe. Eu acho que existe até, [Alexandre] Saraiva [delegado e superintendente da PF no Amazonas], em alguns locais, onde o índio por exemplo troca uma tora com uma Coca-Cola ou com uma cerveja. É possível? Acontece isso ou é próximo disso?”, argumentou.

Já o delegado declarou: “Já aconteceu da madeira em terra indígena ser negociada por valores pífios, na terra indígena e por indígenas. Existe isso”, rebateu Saraiva. “Mas a grande causa do desmatamento é a fraude nos processos administrativos que foram gerados lá atrás. O desmatamento de hoje vem de processos administrativos que autorizaram que vêm lá de 2010. Então não temos desmatamento atrelado a processos recentes, mas a antigos. Mas o ano recorde foi 2018, e 2017 também foi muito forte”.

Bolsonaro também fez críticas ao projeto do Reino Unido que tem como objetivo proibir a compra pelo país de commodities que apresentam “risco florestal”. Assim, as companhias serão obrigadas a fazer a rastreabilidade dos produtos para comprovar que não tem origem em áreas desmatadas ilegalmente.  “É um grande jogo que existe entre alguns países do mundo, em especial para nos atingir, porque nós somos realmente uma potência no agronegócio, nos commodities que vêm do campos. E eles querem exatamente é diminuir a concorrência nossa, com toda a certeza facilitando outros comércios ou até mesmo o comércio interno desses commodities. Mas não podemos esquecer que no ano que vem, em 21, na Inglaterra será realizada a Cúpula das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. Então é um cartão de visitas que a Inglaterra está apresentando, e isso vai ser feito política em cima disso, com o objetivo, em grande parte, de atingir o Brasil, porque o Brasil é o país que mais sofre com isso. Tem como esses países colaborarem conosco. A Amazônia é uma imensidão, é maior que Europa Ocidental toda junta, então não é fácil você tomar conta de tudo aquilo. Agora as críticas são potencializadas”, declarou. 

O presidente braasileiro também fez críticas direcionadas à França.  “Eu vi que tem vários países, a quantidade que são importadas anualmente, se você pegar aqui tem a França aqui também, o tipo de madeira. Se você pega um montante de ipê, por exemplo, entre vários países, aquele montante é muito superior do que é permitido extrair em reserva legal, área de manejo. Augusto [jornalista] fez diretamente [a pergunta sobre] a França porque a França é uma concorrente nosso em commodities. O grande problema nosso para a gente avançar no acordo da união europeia com Mercosul é exatamente na França. Estamos fazendo o possível, mas a França, em defesa própria, ela nos atrapalha no tocante a isso daí”, afirmou.

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *