Sem Renda Brasil, Guedes prioriza nova CPMF

Com a interrupção do debate sobre o Renda Brasil por parte do Executivo, o ministro da Economia, Paulo Guedes reprogramou as prioridades da sua pasta. Assim, ele antecipou o cronograma de reforma tributário do governo, com as medidas atreladas à criação de um imposto sobre transações bancárias, aos moldes da antiga CPMF. 

Entre as ações listadas estão a desoneração ampla da folha de pagamentos aos trabalhadores com remuneração de um salário mínimo, ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o corte de imposto para os produtos da linha branca, além de um benefício para as igrejas. 

De acordo com interlocutores, Guedes chegou a lançar a proposta, considerada polêmica e com restrições no governo e no Congresso. Até o momento, a medida estava aguardando, sob avaliação de que poderia tumultuar o andamento de outras propostas no Congresso. Com o veto do Renda Brasil, foi aberta a possibilidade de emplacar o novo tributo. Ainda está em avaliação a apresentação do texto diretamente ao Senado. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) é abertamente contrário à proposta. 

Na última terça-feira (15), a equipe econômica recebeu críticas do chefe do Executivo, sobre decisões que poderiam afetar as camadas mais vulneráveis da população, com o objetivo de criar o Renda Brasil. Anteriormente, ele já havia vetado a extinção de programas existentes para financiar o novo programa. Agora, ficou proibido o fim da correção das aposentadorias, que abriria espaço no orçamento. “Quem porventura vier a apresentar para mim uma medida como essa eu só posso dar um cartão vermelho para essa pessoa”, declarou Bolsonaro. 

Através de videoconferência, Guedes minimizou a declaração do presidente: “O cartão vermelho não foi para mim. […] A reação do presidente foi política, correta”. Após a declaração do chefe do Executivo, o ministro pediu que a equipe abandonasse os estudos sobre o programa social e acelerasse o conjunto das propostas tributárias, que já vinha sendo elaborado pela pasta. O objetivo de Guedes é solucionar vários problemas com apenas um pacote. A ideia é encerrar, por exemplo, o debate sobre a desoneração de alguns setores com a proposta de reduzir encargos para todas as empresas. 

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *