“Mulher mais rica da África” envolvida em esquemas suspeitos

Isabel dos Santos, filha  do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos, teve seu nome amplamente divulgado na mídia internacional durante o fim de semana. A suspeita é que ela esteja envolvida em esquemas com negócios financeiros suspeitos. Os documentos divulgados revelam a ligação de Isabel e do seu marido congolês, Sindika Dokolo no esquema. O casal deseja chegar ao topo do poder angolano e provavelmente deverá lançar a candidatura de Isabel às eleições presidenciais. 

Cerca de 715 mil arquivos, entre eles trocas de e-mails com inúmeros documentos anexos, foram analisados pelo Consórcio Internacional dos Jornalistas de Investigação. Através desses arquivos é possível entender o funcionamento interno de aproximadamente 400 empresas e suas filiais, criadas desde o início da década de 1990, e espalhadas em 41 países, onde o casal tem negócios. A estimativa é que a fortuna de Isabel chegue a mais de US$ 3 bilhões. 

As informações vazadas, que não tiveram a origem detalhada, apresentam vários documentos. Através do “Luanda Leaks” ainda é possível compreender a imensa rede de colaboradores e os questionamentos sobre o pouco controle da família Santos sobre a economia de Angola. Os anexos ainda revelam várias transações financeiras e imobiliárias do casal.

Em entrevista à RFI, Sindika Dokolo declarou que a divulgação desses documentos trata-se de perseguição política por parte do presidente João Lourenço e do antigo vice-presidente Manuel Vicente. “Nós sabíamos que várias das nossas empresas tinham sido alvo de um hacker português. Estes documentos foram guardados e estão, hoje, a ser instrumentalizados para controlar por completo os nossos bens no estrangeiro. Eles utilizam os órgãos de comunicação social para manipular a opinião dos governos”, declarou.

O pai de Isabel dos Santos liderou Angola por 38 anos. Desde que perdeu as eleições em 2017, a família vem acumulando contratempos administrativos e judiciais no país. “É uma batalha que o regime pretende fazer em nome da luta contra a corrupção, mas ele não ataca os mandatários das empresas públicas acusados de desvio de fundos, ataca apenas uma família que opera no setor privado”, acusa Dokolo. 

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